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quinta-feira, 21 de abril de 2011

Educação, valorizar na prática e não apenas no discurso

Como professor me sinto a vontade para escrever sobre a Educação, mas desconfiado quanto ao seu futuro. Ser professor, pra quem gosta é uma tarefa elementar e de construção intelectual cotidiana, não me vejo e não me coloco apenas como o que ensina, mas aquele que esta sempre aprendendo, e sinceramente acredito que tenho aprendido com a profissão que escolhi para trabalhar, por que para viver complemento com outro serviço.
Estar constantemente aprendendo parece ser a única parte boa da tarefa. Pois no Brasil ser professor no Ensino Fundamental I e II, seja no setor público ou privado não é apenas uma questão de gostar ou não do que faz. Comecemos pelos noticiários, em que é constante a aparição de matérias sobre a educação, só que na maioria das vezes ela esta envolvida em acontecimentos que chocam a sociedade, como o ocorrido recentemente no Rio de Janeiro ou então, são matérias para apresentar dados e relatórios de agências nacionais ou internacionais referentes a péssima qualidade de nossa educação quando comparada com outros países. Nessa mesma arena midiática da para citar também as campanhas publicitárias de “Todos pela Educação” ou “Amigos da Escola” que cumprem um importante papel de dizer tudo para não fazer nada.
Podemos ver a educação sob o ponto de vista da disputa política entre Governo e oposição. Em relação, por exemplo, do Piso Nacional do Magistério sancionado em 2008 pelo presidente Lula no valor de R$ 952,00 e que a oposição questionou sua constitucionalidade entrando com Adin no STF para impedir o cumprimento da Lei. O STF julgou a Adin da oposição e considerou a Lei do Piso legal, depois de três anos o STF diz que ela deve ser cumprida e o valor do Piso foi corrigido pelo MEC para R$ 1.187.00. Parece brincadeira, mas é verdade, levamos 508 anos para ter uma Lei Federal que nos reconhecesse como categoria profissional em todo o território federal e mais três para garantir a sua legalidade, agora só falta saber, quantos anos ainda vamos levar para que ela seja de fato efetivada e cumprida. Pelo nosso histórico já da para imaginar.
Em relação ao valor pago, bom, acho que aí qualquer um é capaz de tirar suas conclusões. Considerando que em boa parte das regiões Norte, Centro Oeste e nordeste esse valor nem chega a ser cogitado por professores ou autoridades do setor. Nas regiões Sul e Sudeste, boa parte dos profissionais recebe igual ou acima do valor, mas uma grande parcela esta abaixo.
Outro ponto de vista importante é a sua condição social perante as outras categorias de profissionais. Em tempos mais remotos, fazíamos a comparação com os profissionais liberais da Medicina, Advocacia, Engenharias e constatávamos que ocupávamos uma relação de certo prestigio na hierarquia social, é certo que não ganhávamos e nem gozávamos do mesmo prestigio, mas à distância era pequena e os víamos de perto, hoje eles se perderam no horizonte a nossa frente. Nos dias de hoje, temos que nos contentar em fazer comparações com outras categorias de profissionais. Só para citar uma, Auxiliar de Pedreiro, ganho médio de R$ 60.00 ao dia, no fim do mês o salário varia de R$ 1.500.00 a R$ 1.800.00, média em SC, dados da FIESC apresentado pelo setor da construção civil. Não que estes profissionais não mereçam seus salários, merecem sim e acho até que deveriam ganhar mais. O problema é que o nosso salário e consequentemente nosso reconhecimento na sociedade esta ficando cada vez pior.
Vivemos em uma sociedade que conseguiu globalizar a informação e o entretenimento virtual. Mantêm e aumenta sistematicamente seus valores mais fundamentais: Individualismo e competitividade que classifica e valoriza as opiniões de acordo com o status social do individuo e pelo salário por ele recebido. Vejo que o professor ganhando o que esta, trabalhando nas condições em que esta, com baixa formação e pouca adequação as novas tecnologias e tendo o seu papel rebaixado cada vez mais na sociedade hierarquizada, não podemos esperar melhorias significativas nos próximos anos. É certo também para qualquer cidadão Brasileiro consciente da possibilidade de crescimento econômico, político e social em que passa o Brasil. Que esse sucesso tão esperado e sonhado por muitos que se livraram do pensamento colonizado e da subserviência a que nossa elite nos impôs por séculos e que procuram abrir caminho para a superação do atraso, não será efetivado ou não alcançara êxitos promissores sem o devido reconhecimento e valorização dos profissionais da educação fundamental. E essa valorização é, antes de qualquer outra coisa, o aumento significativo dos salários. Portanto, muito mais que discursos é preciso prática.

Um comentário:

  1. pois é meu caro! enquanto nós torcemos e retorcemos nossos conhecimentos adquiridos por anos de estudo e 'estrada', lutanto para uma 'abertura' de conceitos e acesso ao conhecimento, outros burocratizam ainda mais as coisas ainda discutindo mesquinharias de fundamento 'religioso' e afins.. não se empenham em melhorar seus rasos e forjados conceitos.. alguns pais querem seus filhos inteligentes e preparados para o 'futuro'.. mas vendo e tratando o professor do jeito que fazem, o futuro os dará uma resposta não tão desejável.. enfim.. no fim, 'a culpa é do vermelho comunista e punitivo das canetas bic'..

    acidez e explosões semanais em: www.furodebala.blogspot.com

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