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sábado, 9 de abril de 2011

Sobre a minha falta de religiosidade.

Vivemos em uma sociedade carregada de valores éticos, morais e cristãos. É muito raro encontrarmos uma pessoas que não seja devota de algum santo, deus, credo ou religião. Todos que acreditam, sabem que com essa fé a vida aqui na terra será mais segura e confortavel, além é claro, quando partirem dessa para outra, irão para um lugar melhor do que esse. Comigo a coisa é um pouco diferente. Não admito ser crente em qualquer crença religiosa e não me considero ateu.
A questão da religiosidade esta marcada em mim pelo fato de ser de uma família extremamente religiosa, meus avós maternos sempre foram evangélicos, morei com eles por dois anos quando a relação amorosa entre meus pais estava problemática, até que acabou em separação. Minha mãe se arrumou com outro parceiro, que era muito católico, mas essa pessoa era para mim e minha família a própria encarnação do demônio e transformou nossas vidas num verdadeiro inferno. Morávamos em Lages, minha mãe cansada de tanto apanhar e sofrer resolveu fugir dele e procurar abrigo na sua família, aí vem uma de minhas grandes decepções, depois de conseguir planejar a fuga e sair ilesa daquela situação, a mãe foi recebida pelo meu avô no portão (fechado) que lhe disse: aqui você não entra, a vontade de deus era que você continuasse com seu marido, agora você é uma prostituta e esta tendo a vida que merece. Fiquei muito decepcionado e principalmente com medo, pois, se não vamos ter abrigo aqui, onde teremos?
É claro que com o passar do tempo as feridas foram se fechando e consegui entender um pouco mais sobre os acontecimentos. Depois veio a escola e os amigos, um período muito legal e de grandes emoções. Em seguida fui para a universidade fazer História. O Estudo da História também contribui significativamente para minha posição em relação a religião. Olhando o passado é praticamente impossível encontrar algo de bom que tenha sido feito em nome da fé, são só guerras de conquistas e extermínios, ou seja, as guerras realizadas até o inicio da idade moderna são guerras de cunho religioso com objetivo de impor uma verdade e saquear as riquezas dos derrotados, não há nada de santo nisso.
Por fim, minha posição política e humanista em relação aos fatos e a sociedade como um todo, meu grande referencial é o marxismo. todo mundo sabe, mesmo os que produzem a desigualdade que no mundo existem enormes injustiças devido a exploração de homens sobre outros homens, e também sabe que uma parte luta para diminuir essas desigualdades, outra parte não faz nada e uma terceira é a exploradora. Minha queixa sempre foi tentar descobrir onde se sustentam as idéias de que a coisa é assim e sempre será, fazendo com que muita gente não se sinta explorada e deixe tudo com esta. E quase sempre o imobilismo se sustenta em idéias e crenças religiosas, ou seja, os que pregam uma vida melhor e se dizem contra as injustiças, também comentem injustiças e escondem da maioria das pessoas humildes as grandes injustiças. Marx ja havia observado isso em sua época e escreve no capital: "Às duas, às três, às quatro horas da manhã, crianças de nove ou dez anos são arrancadas de seus leitos imundos e obrigadas a trabalhar até às dez, onze, doze horas da noite, por um salário de pura subsistência; os seus membros se descarnam, a sua figura se contrai, os traços dos seus rosto se embotam e a sua humanidade se enrijece completamente num torpor de pedra, que causa horror a quem os vê" Essa foi uma experiência que ele teve em londres que o impressionou profundamente e lhe serviu como elemento animador para sua atividade de escritor e agitador político. Quando viu toda essa exploração ficou surpreso com a seguinte situação, os explorados freqüentavam a igreja, o padre lhes dava o sermão sobre o que era certo e o que era errado: trabalhar exaustivamente sem reclamar, obedecer os ricos e agradecer a deus. A igreja servia aos propósitos da exploração capitalista, por isso da célebre frase: "A religião é o ópio do povo".
É claro que entre mim e Marx não existe a menor comparação, sou apenas um seguidor apaixonado, mas assim como ele, toda vez que enxergo injustiças não me permito ficar calado. Que me perdoem os crentes e religiosos, mas eu sempre vou criticar e denunciar as injustiças que forem cometidas contra qualquer animal que ande por esse planeta, principalmente se essas injustiças forem carregados e justificadas em nome de algum credo ou religião.

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