Loading...

domingo, 30 de junho de 2013

A CORRUPÇÃO COMO BANDEIRA


O Brasil esta passando por um momento riquíssimo em sua história política. As pessoas estão saindo às ruas para se manifestar. As pautas de reivindicação são múltiplas, os movimentos ecléticos e heterogêneos, uns bem politizados e outros menos. O brasileiro quer exercer a sua cidadania e isso é bom para a democracia. Podemos ao final disso tudo conseguir avanços, ficar onde estamos ou até mesmo retroceder. Não temos nada definido, tudo vai depender da continuação ou não das mobilizações e em torno de quais bandeiras elas irão convergir.

Uma bandeira sempre presente nestes momentos de manifestações é a da corrupção. Muitos brasileiros acreditam que a corrupção é o nosso maior problema. Saíram às ruas para protestar e pedir o fim da corrupção. A pauta principal da grande mídia nacional e dos partidos de oposição (PSDB, DEM e PPS) é a corrupção. Os escândalos de corrupção no país são freqüentes e o brasileiro se sente cada vez mais traído por nossos representantes.
 
Penso que é preciso estar atendo com essa bandeira. Não basta apenas gritar e desejar o fim da corrupção. É preciso entender como ela ocorre, em que condições políticas,  econômicas e sócias ela ocorre e se desenvolve. As instituições políticas (partidos, mídia) que se manifestam contra a corrupção, precisam dizer como vão combate-la. Quais são os métodos e ações a serem adotados para por fim a corrupção? Se não fizer isso, o discurso cai no vazio.

O Brasil já elegeu dois presidentes através da bandeira da corrupção. Eles foram apresentados ao país pelos setores conservadores e direitistas como os salvadores da pátria. O primeiro foi Jânio Quadros da UDN, eleito presidente em 1960, seu símbolo de campanha era uma vassoura. Ele subia no palanque com a vassoura e prometia aos brasileiros que iria varrer a corrupção em nosso país. Seu governo foi um desastre, teve a duração de sete meses, pois ele renunciou. Ficou sem apoio no congresso e sem o apoio do povo. E a corrupção? Só aumentou.

O segundo caso foi o do presidente Fernando Collor de Melo, eleito em 1989 com o apoio da Rede Globo, da Revista Veja e do Jornal Folha de São Paulo. Ele era apresentado como o caçador de marajás e prometia acabar com a corrupção no país. Como todos sabem, ele de fato conseguiu acabar com a corrupção néh!? Teve um mandato desastroso e carregado de escândalos de corrupção, prostituição e uso de drogas. O povo saiu às ruas e pediu impeachment, dois anos depois de eleito deixava o cargo por pressão popular.


Escrevo esse pequeno texto para alertar sobre o perigo que corremos ao nos agarrar em uma bandeira generalista. Ao pautar apenas a corrupção podemos ficar cegos diante dos outros problemas do país. O principal problema do país é a desigualdade social e é através deste que surgem todos os demais, inclusive a corrupção. É possível que queiram nos vender um novo salvador da pátria. E aí? Como reagimos diante de tanta informação? Que lado esta falando a verdade? Quem representa os interesses dos trabalhadores? É preciso muita atenção, tem muito lobo vestido em pele de cordeiro. A direita já se manifestou contra o plebiscito popular. Por que será que eles não querem saber o que o povo tem a dizer?

Nenhum comentário:

Postar um comentário