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terça-feira, 16 de julho de 2013

A Educação está em crise? E qual é o meu papel como educador?

Essa frase não é nenhuma novidade em nossa história política, seja no Império ou na República. Por anos ela é repetida, recebe novos contornos, novos elementos e novos desafios se colocam ao passo que nem conseguimos superar os antigos. A crise da Educação tem sido inerente à vida nacional porque não atingimos patamares mínimos de uma justiça social compatível com a riqueza produzida pelo país e usufruída por uma minoria, enquanto a maioria vive na míngua e com migalhas.

O Professor e pesquisador, Mario Sérgio Cortella faz alguns apontamentos sobre os fatores que desencadeiam a crise na educação: “A crise educacional tem raízes estruturais históricas e se manifesta de diversas formas em conjunturas específicas: confronto do ensino laico x ensino confessional, conteúdos e metodologias, adequação de novas ideologias, democratização do acesso, gestão democrática, educação geral x formação especial, seriação x ciclos, progressão continuada x aprovação automática, educação de jovens e adultos, despreparo dos educadores, evasão e retenção escolar.” (Cortella, p. 11). 

As constatações e apontamentos feitos pelo professor Cortella nos remetem ao que podem ser os verdadeiros problemas da educação, sim! estes são os mais comuns e mais freqüentes. Mas além destes, existem muitos outros... Vivemos em uma sociedade capitalista, essa tem como objetivo produzir e concentrar riquezas. As elites econômicas do país sempre tiveram uma boa educação para seus filhos e sempre concentraram muita riqueza. Essa mesma elite nunca se interessou com a educação da classe trabalhadora, a não ser para boicotar a possibilidade de uma melhora na educação pública, laica, universal e de qualidade. A crise na educação brasileira não é por acaso, ela é intencional e provocada pela classe dominante que não aceita diminuir seus privilégios.

Além desta questão conjuntural, que é muito importante e no meu entender é o centro da problemática sobre a crise na educação. Eu gostaria de falar sobre outros aspectos. Quero falar sobre o professor, por que escolhi ser professor? Para ganhar mal, ser desrespeitado na sala de aula e na sociedade? Claro que não! Escolhi ser professor porque tenho compromisso com a transformação social e a emancipação da classe trabalhadora. Será que os trabalhadores em educação se fizeram/fazem essa pergunta? Ser professor é uma tarefa simples ou uma atividade complexa? Exige pouca ou muita formação? E como anda a formação pessoal de nossos professores? Quais leituras têm priorizado? Pesquisas recentes mostram que o professor não é muito chegado a boas leituras, e isso faz toda a diferença em sala de aula, neste caso negativo.

Outra questão é que boa parte dos professores não se entende/assume como pertencente à classe trabalhadora. Muitos acham que fazem parte de um pequeno grupo “iluminado” que atua na educação com uma tarefa quase que divina, “desempenham um serviço sacerdotal”. Estão para servir a todos e todas da mesma forma, são neutros, como se no mundo capitalista ser neutro seja possível. Por essa visão e conseqüente atitude, que já foi mais forte antes do período militar, mas que ainda resiste na mente de um bom número de educadores, nossas entidades de classe ficam muitas vezes fragilizadas frente aos próprios professores, imaginem frente aos patrões e governos. Por serem “puros e neutros”, não se envolvem em questões políticas, sociais e sindicais. Essa postura tem contribuído de forma significativa para que a educação fique exatamente onde esta.


Não tenho a intenção de achar um bode expiatório para explicar os fracassos da educação. Como dito anteriormente, são um conjunto de fatores orquestrados pela elite econômica que ao longo dos anos contribuíram para que a educação não fosse/seja valorizada em nosso país. Mas é preciso dizer que o professor é a peça fundamental na transformação dessa realidade. Para isso ele precisa atuar de forma organizada e consciente no processo de ensino-aprendizagem dele, dos colegas e dos educandos; Precisa ter interesse pessoal na mudança e estar comprometido com uma prática pedagógica libertadora e por fim deve agir de forma intencional, sistemática e coletivamente. Sem uma tomada de atitude por parte dos professores, que lhe possibilite ter uma visão mais ampla e de conjunto e que lhe permita atuar de forma organizada enquanto classe, nós teremos muito mais dificuldades em conseguiremos avanços quantitativos e qualitativos na educação. 

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